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“Há dias em que chegamos a casa cansados. Dormimos, descansamos e, no dia seguinte, recuperamos. Mas e quando o descanso já não chega?”
O burnout é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que se caracteriza por «um sentimento de exaustão, cinismo ou sentimentos negativistas ligados ao trabalho e eficácia profissional reduzida».
Traduz-se em stress crónico relacionado com o trabalho que não foi adequadamente gerido. Não significa simplesmente “estar cansado” ou ter tido uma semana particularmente difícil. É um processo que se pode instalar de forma gradual, muitas vezes sem que a própria pessoa se aperceba inicialmente.
A exaustão é um dos sinais mais conhecidos, mas não é o único. Pode surgir irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações do sono, menor motivação e uma sensação persistente de incapacidade para dar resposta às exigências do dia a dia.
Algumas pessoas começam também a sentir-se emocionalmente distantes do trabalho, dos colegas ou das pessoas que acompanham.
O desempenho pode diminuir e tarefas que antes eram simples passam a parecer difíceis. Reconhecer estes sinais precocemente é importante.
Muitas vezes, existe a ideia de que é preciso “aguentar” ou que pedir ajuda representa uma fraqueza. Na realidade, reconhecer limites e procurar apoio são formas de cuidar da saúde.
A prevenção passa por diferentes níveis. Individualmente, é importante proteger o sono, manter atividade física e momentos de lazer, preservar relações sociais e estabelecer limites entre o trabalho e a vida pessoal.
Mas a prevenção não pode depender apenas de cada trabalhador. Cargas de trabalho excessivas, falta de autonomia, horários pouco previsíveis, ausência de apoio ou ambientes profissionais desfavoráveis também devem ser encarados como fatores relevantes.
Nem todo o cansaço é burnout e nem todos os sintomas de exaustão têm a mesma causa. Quando o sofrimento persiste, interfere com a vida pessoal ou profissional ou começa a afetar significativamente o bem-estar, procurar ajuda junto de um profissional de saúde pode ser um passo importante.
Porque descansar não é perder tempo, dizer “não” nem sempre é falta de disponibilidade e pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Cuidar da nossa saúde implica também reconhecer quando a forma como estamos a viver deixou de ser sustentável.
Ana Raquel Oliveira
Médica Interna de Formação Especializada de Medicina Geral e Familiar

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