OPINIÃO

Sobre o Orfeão de Vagos

Cantinho de João Ferreira

Entrei para o Orfeão de Vagos em 1968, era o meu filho uma criança de 8 anos.
Levei-o ao centro paroquial para ele ver os músicos e ele perguntou porque é que os trompetes precisavam daquela peça para abafar.
Eu tinha vindo de um trabalho no Porto quando o Sr. Humberto Mouro me disse assim:
“- O orfeão está a atuar podias ir atuar com eles.”
Atuei no salão paroquial, no Atlântico Cineteatro de Ílhavo, no Cineteatro Aveirense e em Águeda. Atuei até numas marchas, a cantar para eles, a par com os meus colegas. Fizeram até peditório para as vítimas das cheias de Lisboa, mas pelo que sei, o tempo passou e acabaram por dar o dinheiro à igreja. O Orfeão de Vagos chegou a ter cerca de 50 constituintes (todos homens). Passado alguns anos começou a haver senhoras também!
Hoje em dia é um número mais reduzido e na sua maioria mulheres, sendo que a Maestrina é uma senhora também: Sra. Maestrina Elsa Martins, cuja foto fará adorno ao artigo. O orfeão tinha naipes de voz e eu na altura era barítono, ao invés de tenor ou baixo.
A esposa do Sr. Duarte Gravato arranjava os poemas antigos da música tradicional portuguesa, e nós cantávamos como ela mandava: “água leva o regadinho, água leva o regador… enquanto rega não rega vou falar ao meu amor.”.
Havia três solistas no Orfeão, onde eu atuava e fui cofundador: o Sr. Arlindo Pimentel, Sr. Francisco de Oliveira que cantava “a Granada”, e o Sr. Joaquim Peixeiro.
Por fim o Sr. Duarte Gravato, que sendo Maestro tanto em Vagos como em Leiria era do melhor que já vi: sempre que tinha de se ausentar à cidade vizinha ficava o Jaime Mouro que não era tão bom a dirigir.
Muito mais haveria a contar, mas por ora o problema mantém-se o mesmo… falta de espaço. Despeço-me com o mais feliz das memórias. Boas leituras a todos e um bem-haja.

João dos Santos Ferreira

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