EDITORIAL

Entre o verão e o futuro

EDITORIAL

Adeus, verão. Olá, outono. Com o fim do verão ficam para trás as semanas em que Vagos ganhou outro ritmo, com as praias, a cultura e a gastronomia a darem vida ao concelho. Do Vagos Metal Fest ao Sensation Gourmet, passando pela programação municipal “Vive o Verão”, foram muitos os momentos que trouxeram mais movimento ao nosso espaço público e que o tornaram distinto. Chega setembro e, com ele, há uma mudança obrigatória de foco. O movimento veraneante dá lugar ao quotidiano – àquele que nos acompanha a maior parte da vida – e chega a altura de olharmos, sobretudo, para nós próprios, para quem vive, trabalha e estuda em Vagos.
Setembro tem uma particularidade que nenhum outro mês consegue verdadeiramente igualar. Após o ritmo diferente do verão, que convida à pausa, e dos dias mais longos, é em setembro que tudo parece regressar ao seu lugar, encaixando-se na vida como a conhecemos. As escolas reabrem, as famílias reorganizam horários e as ruas recuperam a agitação. O dia a dia volta, aos poucos, à normalidade – que atinge o seu expoente máximo, habitualmente, no fim do mês.
Sabemos todos que, para milhares de crianças e de jovens, setembro é sinónimo do início de um novo ano letivo. Para uns, há uma mudança de ciclo, uma nova turma e novos professores. Para outros, as alterações são mais ligeiras, mas, ainda assim, existem quase sempre. E para as famílias, por seu turno, é uma altura de readaptação e de criação de novas rotinas, com a ansiedade que de tudo isso advém.
O ano letivo inicia-se em setembro, mas começa a preparar-se meses antes. Que o digam as direções dos agrupamentos de escolas, por exemplo. Mas este início, o agora, pode ser, também, um bom momento para o concelho pensar no que quer deixar às próximas gerações.
Em Vagos, o número de alunos tem vindo a crescer, acompanhando a chegada e a fixação de novas famílias. Só que esse crescimento coloca desafios às escolas e às infraestruturas existentes. Não esqueçamos, por exemplo, que continua em cima da mesa uma intervenção esperada e necessária na Escola Secundária de Vagos, dependente de financiamento.
Quando se fala de obras, fala-se da criação de condições para que os nossos jovens aprendam, cresçam e se preparem para a vida. Por isso, setembro pode ser, também, tempo de planear o futuro concreto. É que setembro tem outra particularidade que nenhum outro mês consegue verdadeiramente igualar: faz-nos acreditar que é possível recomeçar.

Salomé Filipe
Diretora do Jornal

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