OPINIÃO

Sobre a obra do Dr. Júlio Dantas “A Severa” e outros filmes

Cantinho de João Ferreira

É com agrado que recordo os versos de Amália Rodrigues :“Ó rua do Capelão / Juncada de rosmaninho / Se o meu amor vier cedinho / Eu beijo as pedras do chão / Que ele pisar no caminho // Tenho o destino marcado / Desde a hora em que te vi / Ó meu cigano adorado / Viver abraçada ao fado / Morrer abraçada a ti”. A verdade é que quando o modesto autor deste artigo tinha dez anos, morava numa casa sem soalho nem teto, na rua do Porto Gonçalo (aí a cinquenta metros da rua da Fonte Nova, em Vagos) e as pessoas cantavam versos d’“A Severa”: “Chorai, fadistas, chorai, / Que a Severa já morreu. / Fadistas como a Severa / Nunca o fado conheceu. // Trinai, guitarras de pinho, / Sinos nas torres, dobrai! / Chorai, pedras do caminho, / Chorai, fadistas, chorai. // Ponham em todas as velas / Cruzes viradas ao céu, / Digam às próprias estrelas // Que a Severa já morreu. / Viveu e amou em pecado / Mas sempre de alma sincera; / Jamais cantarão o fado / Fadistas como a Severa. // A desgraça foi a graça / Em que sempre se envolveu. / Mas fadista de tal raça / Nunca o fado conheceu!”. Três anos mais tarde, fui com um grupo de seis rapazes ver o filme d’”A Severa” num salão em Soza, onde até representei duas peças de teatro com outros atores amadores. Do grupo de seis, hoje sobram dois: eu e o meu irmão Armando “Duque” Ferreira.
No filme representava a artista principal Dina Tereza, que só vi a atuar mesmo nesse filme. A mesma cantava uma melodia que recordo: “Nesse domingo de agosto / Foi linda a espera de gado / Desde manhã ao sol posto / Houve alma, Toiros e Fado”. O Dr. Júlio Dantas escreveu também uma peça de teatro “A Ceia dos Cardeais”, da qual, na edição que vi, atuava Ruy de Carvalho, ainda hoje vivo e trabalhador. Este conhecido nonagenário, é famoso também pela frase “Só quando morrer é que paro de trabalhar”.
Passando aos outros filmes, Curado Ribeiro foi um dos atores principais no filme Costa do Castelo, bem como Milú que contracenava como seu par; António Silva e Maria Matos nos outros dois papeis principais. Havia também outros filmes de Arthur Duarte como “A Menina da Rádio” de 1944; “O Leão da Estrela” de 1947; “O Grande Elias” de 1950; e “O Pai Tirano” de 1941. Todos estes filmes vi por duas vezes ou mais: a primeira nos cinemas de Vagos, e a última na casa do meu neto, por que ele os tem na televisão.
O Manuel Freire, por exemplo, nasceu em Vagos e era filho do Sr. Prof. Freire que ensinou a escola primária ao meu irmão. Gostei sempre de ver cinema, muito mais que assistir teatro, nesta segunda arte, sempre preferi representar com amigos que ainda hoje recordo: Sr. João Carlos Regalado e Sra. Joana Fontes, por exemplo.
É com grande agrado que faço término de mais um artigo neste tão caro periódico, com um fervoroso abraço,

João dos Santos Ferreira

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