Tem a palavra a Mesa
Uma preocupação atual nas mais diversas atividades.
Trata-se de um tema que me diz muito, pessoal e profissionalmente. É o meu dia a dia – conseguir cuidar, sem me esquecer de cuidar de mim. Todos nós devemos ter esse princípio na nossa linha de atuação e as exigências do mundo atual podem ser verdadeiramente esgotantes.
Estar alerta, conscientemente, compassivamente e ser sensível ao outro e às suas necessidades, é a base deste guia prático, ferramenta essencial para ser capaz de regular estratégias de cuidado e de autocuidado.
Foi uma grande e boa surpresa!
Trata-se de um guia prático com várias vertentes e etapas da missão, estar atento, recetivo e, sendo compassivo, sem se anular na preocupação que implica cuidar sem se esquecer de si.
Tudo passa por uma atitude de autocuidado ativo – cuidar do outro, mas estando sempre atento aos seus limites, cuidando-se.
Confesso que me inspirou muito este livro. Recentemente apresentado em Coimbra, é recomendado pela APTC (Associação Portuguesa de Terapia do Comportamento) e descreve o trabalho prático de profissionais do CHUC (Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra) que muito prezo. Foi escrito por uma equipa de técnicas especializadas e mestrandas, sob a coordenação da psicóloga Maria João Martins, é muito prático e facilitador do caminho a percorrer, consoante as necessidades que, no momento, nos possam preocupar.
“C4RE” – ou os “4C”: CONHECER – COMUNICAR – CUIDAR – CONECTAR (a compaixão em rede). Por tudo se desenvolver em torno das quatro atitudes necessárias para um acompanhamento integrado com base nas estratégias de comunicação compassiva. Tem por base uma intenção clara e patente na afirmação das co-autoras “…este manual é um guia sobre como navegar o sofrimento do outro, apoiando e ajudando de forma eficaz, enquanto cuida das suas próprias emoções, respeitando os seus limites.(…)”.
Estas ferramentas baseiam-se em trabalhos práticos de psicologia, psicoterapia e terapia focada na compaixão (TFC), ligando a atividade clínica à vida quotidiana. Técnicos, pais, professores, terapeutas sentir-se-ão reconfortados por não estarem esquecidos num mar de preocupações; devem sempre fazer estas mesmas reflexões sobre si próprios. Assim, em cada um de nós, as emoções vistas nos diversos quadrantes das nossas atividades, ajudarão a anular “fantasmas” ou ideias distorcidas; com este “método” serão mais facilmente circunstanciadas e mais facilmente poderão “conversadas” e, desta forma, a serem forças e, assim ajudar quem é “alvo” de cuidado, sem descurar de si próprio, enquanto cuidador(a).
Precisamos antes de tudo, de saber reConhecer (no outro e em nós) sinais de ansiedade ou depressão ou outras dificuldades emocionais. Dificilmente cuidamos bem, se não estivermos devidamente alerta para situações de eventual esgotamento, burnout – de atingir o limite.
Não imaginava que praticar a compaixão e a auto compaixão poderia potenciar capacidades no ajudar a ajudar … estar presente, sem se esgotar. É algo que agora me faz mais sentido.
Na nossa instituição, a conexão entre valências pode produzir as mais belas imagens de conexão intergeracional e produzir bons resultados em todos os domínios; o contar as estórias das nossas vidas, enquanto bálsamo para a memória, também engrandece as experiências junto dos mais novos – acrescenta partilha – eterniza saberes – e tudo o que ativa a mente, afasta / atrasa eventuais caminhos para o esgotamento / a demência.
Os nossos colaboradores têm de ser, para a instituição, o garante de que tudo corre pelo melhor, sem que isso possa significar cansaço inultrapassável.
Por ser o dia a dia da nossa instituição, por ser a nossa marca de qualidade, nesta casa em que todos são cuidados, todas valências em todas as idades! Temos que garantir que o cuidador também cuida conscientemente de si.
Fica aqui uma leitura muito sugestiva de nos poder ajudar. Um bem haja às autoras!
Maria do Céu Matos
Mesária
