NO CONCELHO

“Os Violas” já pertence ao município de Vagos

Barco moliceiro foi doado à Câmara por Natalino Estanqueiro, um emigrante natural da Fonte de Angeão

Natalino Estanqueiro, natural da Fonte de Angeão e emigrado, há vários anos, no Canadá, queria homenagear o seu pai, João Violas, e o tio, Manuel Violas, que dedicaram a vida à comercialização de moliço. Por seu turno, o município de Vagos ansiava, há vários anos, ter um barco moliceiro no seu território. As vontades foram cruzadas e da junção de ambições concretizou-se um sonho: Vagos tem, desde o final de agosto, um barco moliceiro, de seu nome “Os Violas”. Foi Natalino Estanqueiro quem o ofereceu à Câmara Municipal.
A embarcação “Os Violas” foi colocada na água junto ao Museu do Barco, na Torreira, município de Murtosa, onde tem estaleiro o construtor naval que o fez nascer, José Rito. O artista plástico José Oliveira deu-lhe cor, pintando os seus painéis. O barco moliceiro navegou, assim, pela ria de Aveiro, até chegar a Vagos, levando uma comitiva composta por Natalino Estanqueira, assim como por elementos da sua família, por Silvério Regalado, presidente da Câmara de Vagos, e por Joaquim Batista, presidente do município da Murtosa, entre outros elementos. À chegada a Vagos, eram centenas as pessoas que estavam presentes para os receber, com salvas de palmas e com a presença do Rancho Folclórico da Fonte de Angeão e Covão do Lobo.
Natalino Estanqueiro aproveitou a ocasião, feliz, para recordar que cumpriu o “sonho de ter o barco a navegar aqui na ria”. E fez questão de agradecer a todos os que o ajudaram a concretizar o projeto”, um processo que demorou três anos e para o qual contribuiu também Silvério Marques, seu primo. “A construção deste barco moliceiro teve o propósito de homenagear os nossos antigos, que trabalharam bastante nesta área do moliço. A embarcação visa também simbolizar todas as gerações desta região que trabalharam no moliço. O meu primo teve esta ideia, eu ajudei-o e hoje estamos muito felizes”, deixou claro Silvério Marques.
Joaquim Batista, que também desempenha o cargo de vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, frisou que “só quem sente estas coisas com o coração e quer perpetuar tradições é que é capaz de gestos deste tipo”. E Silvério Regalado partilhou da opinião, sublinhando o “gesto de benemerência de Natalino Estanqueiro”, esperando que “este enquadramento possa servir de estímulo a outros municípios e outros operadores”.
Durante a sessão de receção do moliceiro, o edil vaguense assinou com Natalino o contrato de doação, um momento que contou com animação musical. Afinal, era dia de festa.
S.F.

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