EDITORIAL
As Festas do Município estão de regresso à vila, como acontece todos os anos. E, desta vez, não existem dúvidas de que se trata de uma festa “portuguesa, com certeza”. Mais do que isso, ainda que não rime: é uma festa vaguense, com certeza. A Câmara já tinha dado a entender que assim seria e agora confirmou-se que a aposta, este ano, é na cultura local. Com apenas um artista de âmbito nacional convidado, Nuno Ribeiro (que atua na noite de domingo), não é por isso que a festa não mantém um programa robusto. A novidade aqui vai mesmo para o destaque dos artistas locais, que ganharam espaço para brilhar.
À boleia da vontade de apostar nos talentos municipais, a autarquia decidiu transformar o Jardim de S. Sebastião no epicentro das manifestações artísticas, denominando-o, durante cinco dias, “Jardim da Cultura”. É por lá que atuarão diversos músicos e cantores do concelho, assim como os ranchos folclóricos e as diferentes estruturas da Banda Vaguense, entre outros. E é nesse local, também, que todas as freguesias estarão representadas ao longo dos cinco dias.
Será interessante perceber a adesão da população aos novos moldes em que as Festas do Município acontecem, sendo certo que a motivação para se participar nos festejos anuais da vila deveria ser, em primeiro lugar, a oportunidade de celebrar algo em comunidade. Contudo, obviamente, a oportunidade de assistir a espetáculos de artistas nacionais na própria terra – ainda por cima a título gratuito – move sempre milhares de pessoas. E, por isso, é esperada uma enchente no Jardim do Ega, na noite do concerto de Nuno Ribeiro.
Enquanto o Palacete Visconde de Valdemouro, que terá um novo auditório, não terminar de ser requalificado, Vagos não tem uma sala de concertos que possa acolher projetos de âmbito nacional. Assim, as Festas do Município acabam por ser uma das poucas oportunidades de levar aos munícipes esse tipo de espetáculos. Por isso, a contratação de um artista nacional – e até poderia ser mais do que um – justifica-se, não invalidando a aposta nos talentos locais.
No final, seja pela vertente cultura, seja pela religiosa – visto os festejos serem em honra ao Divino Espírito Santo e a Santa Maria de Vagos –, importa que os cinco dias de festa se vivam. Na rua, com as famílias, com os amigos e com os conhecidos. Ora com diversão, ora com devoção (para quem a tiver). Boas festas a todos!
Salomé Filipe
Diretora do jornal
