EDITORIAL

À segunda será de vez

EDITORIAL

Só a 8 de fevereiro é que o país saberá quem sucede a Marcelo Rebelo de Sousa como presidente da República. Como já se vinha a prever, os resultados do dia 18 de janeiro não foram explícitos e obrigaram ao agendamento de uma segunda volta, algo que só tinha acontecido uma vez, há 40 anos. António José Seguro, o candidato que se assume como independente, mas que é apoiado pelo PS – do qual já foi dirigente –, venceu a primeira volta. André Ventura, presidente do Chega, ficou em segundo. Defrontam-se agora os dois e só um sairá vencedor. E o que se espera até lá, pelo menos, é que o debate não seja feito ao nível da lama.
Numas eleições em que se 11 nomes se candidataram, os dois que receberam mais votos não podiam ser mais distintos – tanto na ideologia política, como na postura pública que se lhes conhece. De um lado, Seguro, afastado há alguns anos das lides políticas, um candidato que adotou a calma e a ponderação nas intervenções públicas e nos debates – algo que, dizem os especialistas na matéria, poderá ter-lhe valido a confiança de muitos dos portugueses. Do outro, Ventura, com o génio exaltado de sempre, ruidoso, a segurar um eleitorado fiel, que já vinha a consolidar de outras eleições – ainda que tenha perdido cerca de cem mil votos, relativamente às eleições Legislativas, às quais também concorreu.
O concelho de Vagos, como noticiamos nesta edição, fugiu completamente aos resultados nacionais. Elegeu André Ventura em primeiro e António José Seguro ficou apenas em quarto lugar. E estas discrepâncias nos territórios fazem-me sempre questionar as motivações para tal acontecer. Vagos manteve-se fiel à direita que sempre escolheu – tanto que Marques Mendes, do PSD, ficou em segundo lugar, seguido de João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal –, mas agora encostou-se totalmente ao extremo. Não é caso único, pois existem outros municípios onde isso se registou. Mas o que leva a haver alterações drásticas nos sentidos de voto, ao longo dos anos, em determinados territórios, enquanto noutros se oscila tão pouco?
Não tenho respostas concretas. Posto isso, repito-me ao dizer que espero, apenas, como disse ao início, que as duas semanas de campanha até à segunda volta decorram com a elevação que um cargo como o de presidente da República exige. Sem folclores. Com debates em que se argumente sobre os reais problemas do país, que podem ser melhorados por um presidente da República, não confundindo os eleitores entre o papel do presidente da República e o do Primeiro-Ministro. Se acho que isso vai acontecer? Não.
Salomé Filipe
Diretora do Jornal

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