Câmara este ano optou por apoiar a atividade regular do tecido associativo, em detrimento dos financiamentos pontuais que algumas recebiam
A Câmara de Vagos aprovou, em reunião do executivo, a atribuição de subsídios a 13 associações culturais e recreativas do concelho, num total de 79 400 euros. Os apoios em causa destinam-se a apoiar a atividade regular das coletividades em causa, sediadas em várias freguesias do concelho. O financiamento abrange associações como bandas filarmónicas, grupos folclóricos, agrupamentos de escuteiros, grupos corais, associações de defesa do património e da memória local e, ainda, coletividades recreativas.
“Há quem olhe para um subsídio a uma filarmónica ou a um rancho folclórico como uma despesa. Nós olhamos para isso como um investimento naquilo que nos torna reconhecíveis”, explicou Graça Gadelho, vereadora com o pelouro da Cultura, acrescentando que, no seu entender, “as associações são a espinha dorsal da nossa identidade coletiva: são elas que ensinam música a dezenas de crianças, que preservam trajes, cantares e saberes que de outra forma se perderiam, que ocupam os nossos jovens e que representam o nome de Vagos por esse país fora”.
A autarquia adiantou que a decisão de financiar a atividade regular, em vez de subsidiar apenas atividades pontuais, se prendeu com o facto de entender que “as associações precisam sobretudo de previsibilidade”. “É essa estabilidade que lhes permite planear épocas inteiras, assumir compromissos com antecedência, investir na formação de novos elementos e garantir que o trabalho não depende da conjuntura de cada ano”, reforçou a Câmara.
“Reconhecer o trabalho”
Das treze associações a que os subsídios se destinam, aquela que vai receber a maior fatia do orçamento é a Filarmónica Vaguense, com 22 mil euros. Seguem-se Grupo Folclórico Santo António de Vagos, com nove mil euros e a Ruralidades e Memórias, com oito mil. Os agrupamentos de escuteiros 822 Nossa Senhora de Vagos, 851 Ponte de Vagos e 826 Fonte de Angeão recebem, cada um, cinco mil euros. O mesmo montante foi atribuído ao Rancho Folclórico de Fonte de Angeão, ao Rancho Folclórico Luz e Vida de Ponte de Vagos e à associação Dunameão. Da lista contam, ainda, o Grupo Coral Santa Cecília (4800 euros), o Orfeão de Vagos (3600) a Pro.Boco (1500) e o Moliceiro Vespa Clube (500).
“Optámos por apoiar a atividade regular e isso não é um detalhe técnico. Significa reconhecer que o trabalho destas coletividades não acontece só nos dias de festa. Acontece todas as semanas, num ensaio à noite, numa reunião de agrupamento ao sábado, numa sala que é preciso aquecer e num instrumento que é preciso reparar. É esse esforço silencioso, feito de horas que ninguém contabiliza, que o município quer reconhecer e dignificar”, frisou Graça Gadelho.
S.F.
