EDITORIAL

Todos à molhada

Editorial

Goste-se, ou não, de futebol, é difícil passar ao largo do tema que tem dominado a atualidade nas últimas semanas. Ou não estivesse a decorrer o Campeonato do Mundo, no qual participa a seleção portuguesa – com aquela que muitos dizem ser a nossa “geração de ouro”. Só que se José Esteves, interpretado por Herman José, cantava “vamos lá cambada, todos à molhada, que isto é futebol total”, o que eu tenho visto é que, desta vez, a “molhada” acontece mais fora de campo do que dentro dele. Nem no apoio à seleção tem havido unanimidade.
É porque Cristiano Ronaldo já se devia ter reformado, ou porque devia entrar, mas não jogar o jogo todo, ou ainda porque só devia entrar a 20 ou 30 minutos do fim do jogo, saído do campo. Há palpites para todos os gostos. E também as escolhas do selecionador Martinez nunca são aprovadas pela maioria. Na verdade, até a data em que a seleção viajou para os Estados Unidos, antes do início do Campeonato do Mundo, foi motivo para falatório e debate. Depois, lá chegada, a equipa foi à praia e caiu o Carmo e a Trindade. Somos muito bons a debater minudências até à exaustão, é um facto.
No meio de tudo, às vezes, parece que fica de fora aquilo que realmente interessa, que é o apoio indiscutível à seleção nacional, que está a representar as cores do país no evento que é, por estes dias, o centro do Mundo. Perde-se mais tempo a apontar o dedo a pessoas singulares – sejam eles jogadores ou o treinador – do que a torcer pelo coletivo. Só no exato momento do jogo, naqueles 90 minutos, é que o país parece unir-se em prol de uma desejada vitória. Mas mal se ouve o apito, tenhamos ganhado ou perdido, há mais um número infinito de críticas a apontar.
Ainda assim, confesso que aprecio sempre as alturas em que há campeonatos do Mundo ou da Europa. Juntamo-nos todos “à molhada” para ver o jogo, seja em casa com família ou amigos, seja na rua, junto a ecrãs gigantes – nas localidades que os têm, que julgo não ser o caso de Vagos, o que é pena. E lá no fundo, no fundinho, acredito que naqueles 90 minutos somos mais unidos. Gosto de achar que isso é verdade, mesmo que seja mentira.

Salomé Filipe
Diretora do Jornal

Sugestões de notícias