“Educar a mente sem educar o coração, não é educação.”
ARISTÓTELES
Opinião
Falar hoje de EDUCAÇÃO, não é fácil nem é simples. É um assunto que exige cada vez mais um conhecimento profundo da nossa realidade e da nossa sociedade. Estes dois elementos mudam a cada segundo e exigem uma atualização constante. Uma evolução persistente está intimamente ligada à nossa maneira de pensar, de ensinar e de sentir. Sim, sentir hoje a Educação é um desafio que muitas vezes nos conduz a um caminho de facilitismo e desculpabilização constante da “falta de educação”, expressão utilizada, muitas vezes, completamente descontextualizada. Afinal o que é a falta de Educação? É falta de inteligência? É culpa daqueles que nos ensinam? É falta de exemplo? É sinal de deselegância nas relações com os outros? Enfim, teríamos aqui imensas hipóteses de resposta. No meu entender, a falta de educação é simplesmente o não cumprimento de certas normas estipuladas por alguém, por exemplo a falta de respeito. Mas aquilo que para mim são normas básicas de respeito, para outra pessoa pode não ser. Dizer “por favor, obrigada”, para mim é sinónimo de educação, mas não vejo que isso hoje seja regra geral. E não é nas crianças, que ainda estão a construir a “sua educação”, é principalmente nos adultos e mesmo seniores que não fazem questão de agradecer ou de simplesmente pedir…
Considerando então a EDUCAÇÃO como o desenvolvimento de capacidades no ser humano, é de todo importante que reflitamos sobre: Como se educa hoje?
Hoje, as redes sociais dominam, será que são elas que educam? Não podemos ignorar que o tempo hoje é pouco para educar. Entre aulas, trabalho, atividades, não há tempo para “muita EDUCAÇÃO”, no entanto o tempo não se esgota a fazer “scroll”, até porque é mais fácil questionar a internet, do que perguntar ao pai e ouvir um raspanete. Isto é apenas um exemplo de vida verídico, vivido por pais que falam comigo. Sou professora e estas situações estão a ser frequentes na vida das famílias. Como antes referi, sentir a EDUCAÇÃO é ensinar com o coração. Se o outro perceber que de facto o caminho é o amor, a educação deixa de ser uma obrigação e passa a ser um encontro.
Numa sala de aula “ensinar com o coração” é conhecer o aluno pelo nome, é entender a sua forma única de pensar e muitas vezes, só ouvir e calar. Isto é ensinar, isto é, EDUCACAR. Os afetos andam de mãos dadas com a exigência e com a imposição de limites, que conduzem a um respeito mútuo. Não se trata de deixar fazer tudo o que se quer, mas de deixar boas memórias que tornem as pessoas mais fortes, mais firmes e mais autónomas. Quando o outro sente que me interesso por ele, então percebe que vale a pena estar atento, que é compreendido e que pode
confiar, mesmo quando se trata de uma advertência. Existe assim outra disponibilidade para receber a mensagem.
Este é um tema interminável e extremamente complexo, não fosse ele a chave que nem sempre abre a porta que se pretende. A curiosidade, a confiança e o futuro são portas que se abrem a um caminho de vida que por vezes necessita de passar por medos, dificuldades e por indecisões.
Terminando este breve apontamento, permito-me dizer que perante os desafios e o desgaste da vida atual, acreditar no ser humano e promover os valores da paz, da compreensão e da amizade, continuam a ser a melhor EDUCAÇÃO.
Isabel Capela
Professora / Vereadora da Educação
