Cantinho de João Ferreira
Sendo que os anos passam e as estórias começam a escassear, pensei até escrever sobre o meu conto” O grande ator” …, mas depois de ouvir o título pensado pelo meu neto acedi. Desta vez escreve o meu neto numa espécie de entrevista a mim, João dos Santos Ferreira.
E assim começo com a resposta à pergunta sobre o que é “o grande ator”: um conto que escrevi faz 50 anos, e versa um ator que quando contratado para uma grande companhia, não pode aceder por ser analfabeto. Acontece nesse breve conto, presente no meu livro “Retalhos da Comédia Humana”, que o grande ator não sabia ler, mas era muito bom a decorar papeis alheios. Com duas ou três voltas de humor, o conto até que não ficou mau e, tal como a maior parte dos contos patentes no livro, baseia-se em factos reais dos anos 70 passado em Vagos. Tal como “A cura milagrosa da médica dos pobrezinhos” onde uma velha senhora salvou um jovem de ficar sem braço, ou por outra, “A pastilha elástica” onde dois fregueses quase destruíam um estabelecimento de comes e bebes à bulha por causa de um pequeno desacato, sendo que à pastilha sobra o lugar de causa do desacato.
Na segunda questão, agora sobre “A redenção” faço saber que não é um conto, mas ao invés um romance… é um livro de cerca de 50 páginas que versa uma certa pessoa de Vagos e tal como nos contos baseia-se em histórias reais da terra. A estória passa por um triângulo amoroso que culmina numa tentativa de estupro por parte do “Terceira Roda”. Este meu primeiro livro editado foi apresentado aqui há uns anos na Biblioteca Municipal João Grave onde esteve presente o presidente de Vagos, à data, Silvério Regalado.
A terceira pergunta, diz o meu neto, é sobre a minha proveta vida, para explicar o melhor que posso aqui vai: não tido sido sempre exemplo, fiz o melhor que sabia e fiquei com a sensação de que todos me apreciaram enquanto era tempo. Por exemplo quando em Oyonnax trabalhei 10 horas por dia 29 dias seguidos, ou em Ílhavo quando trabalhei 23 horas seguidas num dia, tendo apenas descansado no caminho de um lado para o outro. A vida é uma carga de trabalhos sim, mas também me revezei aqui e ali.
Despeço-me dos leitores do Eco de Vagos a lembrar que não tarda está aí o Natal, não antes dos finados, no entanto. Um bem-haja leitores,

João dos Santos Ferreira
