EFEMÉRIDE

FERNANDO PINTO CHEGOU AOS 55 ANOS

Efeméride

Palmas sentidas. No último adeus ao Pe. Fernando Pinto, pároco de São Miguel de Soza e Santo António de Vagos, que faleceu no último domingo, vítima de problemas cardíacos.
A celebração exequial realizou-se na igreja de Soza (que foi demasiado pequena para acolher tantas centenas de fiéis e amigos), e foi presidida por D. António Francisco Santos, bispo de Aveiro, que reuniu à sua volta mais de meia centena de presbíteros.
Na homilia, o prelado aveirense destacou o desempenho do padre Fernando Pinto, na “terra que fez sua” há mais de 25 anos, onde “soube estar presente em todas as horas, ser irmão e amigo”. Uma amizade “cúmplice, que é amizade de ressurreição”, confessou o bispo de Aveiro.
Reconhecendo que o Pe. Fernando Pinto sempre se preocupou com a vida da igreja diocesana, que tanto amava, servia com renovada “alegria e empenhamento” e procurava “edificar sem impor”, D. António Francisco acrescentou que ele foi “ofertório completo e anónimo até ao fim”. “Faz-nos falta o padre Fernando, um homem inteligente e lúcido, irmão e amigo”, diria, a concluir, considerando que a Diocese de Aveiro “sofre e chora por esta dura e dolorosa provação”.
Nascido a 7 de setembro de 1957 na atual freguesia de Santa Joana (Aveiro), Fernando Manuel Teixeira Pinto foi ordenado presbítero a 15 janeiro de 1984. Assumiu de imediato o múnus de vigário paroquial de S. Salvador de Ílhavo, daqui partindo para o seminário Santa Joana Princesa como membro equipa formadora. Em 1988 foi nomeado pároco de Soza e em 1999 de Santo António. Arcipreste de Vagos entre 1996 e 1999, trabalhou ainda no escutismo como assistente diocesano do CNE. Atualmente era presidente da direção da rádio Vagos FM.
Testemunho. Quando frequentava o seminário, o padre Fernando Pinto foi um dos diretores do Jornal do Seminário. Na referida publicação, partilhada por colegas de outros seminários, escreveu, meses antes do 25 de abril, um artigo de opinião relacionado com o Ultramar, a que dava o título “A guerra”, onde abordava o direito (ou não) de ocupar as antigas Províncias Ultramarinas.
É seu o relato dos acontecimentos, contados em entrevista a um quinzenário local: “Eu não sabia que ia acontecer o 25 de Abril. Nessa altura tinha 16 anos, e por vezes ainda me questiono por que razão escrevi sobre a guerra colonial. Creio que também tenho uma resposta, relacionada com o facto de numa determinada disciplina, um professor (que muito prezo) ter abordado o tema. Fiquei de tal modo motivado e entusiasmado, que não resisti.
Os textos, manuscritos, eram passados à máquina, pelo padre Sebastião Rendeiro, e depois passados para o ‘stencil’. Creio que o vice-reitor não se terá dado conta da gravidade do assunto. O que sei que o jornalzito chegou aos seminários de Beja e Algarve, e só soube mais tarde, já depois do 25 de abril, que o padre Sebastião, como responsável do Seminário, foi chamado ao Governo Civil, que o mesmo é dizer à PIDE, para responder por aquilo que um aluno (que era eu) tinha escrito.
O caso chegou também ao senhor Bispo, e sei também que o padre Sebastião foi severamente avisado para que estes casos não se voltassem a repetir, e para fazer recolher todos os exemplares avulsos do referido boletim. Ainda devo ter um desses boletins na casa dos meus pais.
O padre Sebastião só me viria a contar tudo depois do 25 de abril. E disse-me, com ar sério: ‘Agora ficas incumbido de, no próximo mês, escrever qualquer coisa, a que vais chamar Guerra II’. Foi o que fiz”.

Eduardo Jaques

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