Para alguns dos 25 utentes da associação vaguense foi a primeira vez que viajaram de avião. Participação num campo de férias na Terceira
Vinte e cinco seniores da Associação Extragenária, sediada em Ponte de Vagos, fizeram uma viagem à ilha Terceira, nos Açores, entre os dias 20 e 27 de setembro, numa iniciativa que teve como objetivo ser muito mais do que um simples passeio. Para alguns dos participantes, esta foi mesmo a primeira vez que entraram num avião, mostrando, como frisa a associação, que “há primeiras vezes que não têm idade”.
A oportunidade nasceu da participação da Associação Extragenária no “Azores Human Future Summit”, um encontro onde a organização vaguense apresentou o trabalho que tem vindo a desenvolver na área do envelhecimento ativo. Nesse contexto, surgiu o convite do município de Angra do Heroísmo, para que a associação levasse consigo um grupo de utentes, de forma a integrarem um campo de férias destinado a pessoas mais velhas.
“Para nós, há algo particularmente especial na ideia de ver alguém com 60, 70 ou 80 anos entrar num avião pela primeira vez. Ou fazer uma mala para uma semana de férias, quando nunca teve essa possibilidade. É a demonstração de que a vida continua a poder ter primeiras vezes em qualquer idade”, ressalvou Ângelo Valente, presidente da associação, antes da partida.
A viagem tinha previsto um programa diversificado, pensado para promover o contacto com a ilha, com a população local e entre os próprios participantes. Estavam agendadas atividades ao ar livre – como um passeio de barco e percursos pedestres, em conjunto com pessoas mais velhas dos Centros de Convívio de Angra do Heroísmo –, visitas culturais e diversos momentos de convívio. O grupo teve também a oportunidade de conhecer alguns dos principais espaços históricos e culturais da cidade, como o Museu de Angra do Heroísmo e o Palácio dos Capitães-Generais. Uma volta pela ilha, com passagem pela Serra do Cume e pelas Furnas do Enxofre, também estava incluída, assim como uma visita ao centro histórico de Angra do Heroísmo. E encontrava-se agendada, até, uma “Disco Sénior”, transformando o Twins Club numa discoteca para os mais velhos.
Para Ângelo Valente, uma das mensagens que a associação quer passar é a de que “envelhecer não pode significar deixar de viajar, descobrir, conhecer pessoas, criar memórias ou experimentar coisas novas”.
A estadia contou com o apoio do Município de Angra do Heroísmo e da organização local, que asseguraram o alojamento e a alimentação dos participantes, durante a permanência na ilha. O apoio, de acordo com a Extragenária, permitiu que a experiência chegasse “a pessoas que, de outra forma, dificilmente teriam esta oportunidade”.
S.F.
