Estamos a entrar no último trimestre de 2026 com a sensação de que tudo está a ser vivido em alta velocidade. Não é só uma conversa de velhos! Na CAR, a sensação de a vida nos passar entre os dedos a uma velocidade vertiginosa também se mede pelo número de jovens que vamos acolhendo ao longo dos anos e a cada novo recomeço.
Também as meninas, apesar de algumas saudades da escola, sentiram que as férias passaram num sopro! Apesar dos sinais, primeiro acabaram as grandes saídas e os dias de toalha estendida na praia, depois vieram as primeiras chuvas e as compras de material escolar, quando demos por nós, já estávamos outra vez em setembro!
Outro ciclo, velhas rotinas, novos desafios… porque, nesta casa, a rotina nunca é verdadeiramente rotineira.
Setembro é o mês oficial das mochilas, dos cadernos, dos lápis, das canetas, das capas, dos horários e de uma quantidade assustadora de roupa e sapatos! É também o mês das reuniões de escola, dos transportes, das novas escolas e novas turmas, dos professores desconhecidos e daquele nervoso miudinho do primeiro dia.
Uma verdadeira operação de logística!
As nossas jovens frequentam várias escolas, de Vagos a Aveiro, em cursos regulares e profissionais, procurando sempre o percurso educativo que melhor se adapta a cada uma. E se para elas há muita rotina nova e horários diferentes, para nós há vinte vezes tudo e mais o resto, o apoio ao estudo, as famílias, as atividades extracurriculares, as consultas, os ateliers, o treino de competências da vida diária, os momentos de lazer e mais um sem-fim de coisas que fazem parte da vida de uma casa com tantas jovens.
Somos um barco sempre a navegar, nem sempre em águas calmas, mas sempre com destino traçado!
Este setembro trouxe boas energias. Todas já regressaram às suas escolas e, depois da euforia dos reencontros, das mudanças de última hora, dos receios e das inevitáveis dúvidas, a casa encontrou novamente o seu ritmo. E elas têm-nos surpreendido.
Em breve vamos retomar as atividades extracurriculares.
Muito futebol, ioga, relaxamento, piscina, escuteiros, bombeiros, catequese, ateliers… há espaço para experimentar, descobrir talentos, vencer medos e, quem sabe, encontrar uma paixão que possa abrir uma nova janela para o futuro.
Uma casa de acolhimento não se constrói apenas dentro das suas paredes. Constrói-se também com as pessoas, as instituições e os parceiros que nos ajudam a proporcionar experiências e oportunidades às nossas jovens.
Uma verdadeira comunidade.
Setembro é cansativo. Muito cansativo. Mas é também delicioso.
É quando percebemos que elas cresceram mais um bocadinho. Que já fazem coisas que há um ano pareciam impossíveis. Que enfrentam desafios com um pouco mais de coragem. Que estão, lentamente, a construir a sua própria história.
E talvez seja essa a melhor parte do nosso trabalho, dar sentido às pequenas conquistas, acreditar quando elas ainda não conseguem acreditar e transformar momentos difíceis em experiências que possam servir-lhes no futuro.
Porque, no fundo, é disso que se trata, estar presente, mesmo sem sermos desejadas, nos dias bons e nos dias maus, nas vitórias e nos tropeções. Quando tudo corre bem e, sobretudo, quando parece que nada corre como devia.
É saber que algumas ficarão connosco tempo suficiente para vermos mudanças que nem elas próprias imaginavam. E outras partirão antes de estarem preparadas, mas levando consigo um bocadinho desta casa e deixando cá um bocadinho delas.
E nós continuaremos por cá.
Sem desistências.
Porque cada jovem que passa por esta casa merece encontrar aqui um lugar onde alguém acredita nela, mesmo quando ela própria ainda não consegue fazê-lo.
Que avancem as aulas, os projetos, os sonhos e as conquistas.
Nós estamos por cá. Com o barco em andamento, o destino traçado e a esperança sempre a bordo.
Casa de Acolhimento Residencial
