Menor de 14 anos está num centro educativo desde outubro, quando foi acusado de matar a mãe, que era vereadora na Câmara de Vagos
O filho de Susana Gravato, a vereadora da Câmara de Vagos que foi assassinada a tiro, em outubro, no interior da casa onde vivia, na Vagueira, está a ser julgado à porta fechada, no Tribunal de Família e Menores de Aveiro. O julgamento teve início a 25 de março e o adolescente, que se encontra num centro educativo em regime fechado, responde pelo homicídio da mãe. Ao que tudo indica, apenas a leitura da decisão, no final das sessões, será pública.
O juiz presidente da Comarca de Aveiro, Jorge Bispo, explicou à Agência Lusa que o julgamento do filho de Susana Gravato é presidido por um tribunal coletivo, composto por um juiz de carreira – que é a juíza titular do processo – e por dois denominados juízes sociais (que são dois cidadãos, sem formação jurídica específica, nomeados para auxiliar juízes de direito em tribunais de família e menores). Por ser menor de idade, o adolescente tem direito, contudo, a ter o pai presente durante as sessões.
À mesma agência noticiosa, Jorge Bispo adiantou que a exclusão de publicidade do julgamento – ou seja, o facto de as audiências decorrerem à porta fechada, sem presença de público ou da comunicação social – foi determinada pela juíza titular do processo. “Sempre que se justificar, e possivelmente no final da sessão, será emitida uma nota informativa sobre o decurso da mesma”, detalhou Jorge Bispo. “Isto é, de facto, uma audiência de julgamento que se equipara a um julgamento coletivo no processo crime. A única particularidade é que, em vez de termos um arguido, temos um jovem”, acrescentou, ainda, à Lusa.
A morte de Susana Gravato, a 21 de outubro, deixou o concelho de Vagos em choque. Na altura vereadora em fim de mandato, a autarca foi assassinada a tiro no interior da própria casa, na Vagueira, a meio da tarde. O filho – que terá, depois da morte da mãe, simulado um assalto à moradia – acabou por ser detido, no mesmo dia, pela Polícia Judiciária, a quem terá confessado a autoria do crime.
Susana Gravato tinha almoçado com o marido, num restaurante perto de casa, tendo-se depois deslocado até à moradia onde vivia com a família, por alegadamente se sentir indisposta. Pouco depois, enquanto estava ao telefone com uma amiga, a chamada desligou-se e a pessoa com quem se encontrava a falar não conseguiu voltar a contactar a vereadora. Preocupada, a amiga acabaria por telefonar ao marido de Susana Gravato, proprietário da drogaria “Silvino & Arsénio”, situada a poucos metros da casa do casal. Ao chegar, o marido terá encontrado a mulher já sem vida, tapada por uma manta e com sinais de ferimentos. Tentou reanimá-la, sem sucesso.
S.F.
