Tem a Palavra a Mesa
Há poucos dias foram comemorados na nossa Santa Casa os 35 anos de vida do ERPI – Estrutura Residencial para Pessoas Idosas.
Nessa comemoração foram, em boa hora, lembradas as 14 Obras da Misericórdia: sete Corporais e outras sete Espirituais.
Foi muito oportuno tal momento, pois que a velocidade da nossa vida nos empurra para o esquecimento e o nosso dever de ajudar e cuidar dos que mais precisam, quantas vezes ficam pela vontade de …
De todas essa Obras da Misericórdia, duas delas chamam-me neste instante a atenção, como que exigindo alguma reflexão. São elas “Dar pousada aos peregrinos” e “Assistir aos enfermos”.
Todos nós nesta vida somos “Peregrinos”, com um “caminho mais longo” ou quantas vezes de “pequena distância”, por causas naturais ou por acontecimentos inesperados, alguns de grande violência e sofrimento.
Também nós, algures na nossa vida somos “Enfermos”, e então esperamos cuidados mais diferenciados.
Porém, logo que as nossas adversidades sejam ultrapassadas, voltamos ao dia a dia da vida, e os outros já não são tão lembrados.
Na semana passada, um jornal da nossa região, e passo a citar: “Há um milhão de pessoas a viver sozinhas em Portugal”. Este número assusta mesmo.
Quantos deste milhão se encontram privados dos cuidados mais básicos?
Por esta razão, digo eu que É URGENTE fazer um pouco mais ou mesmo muito mais pelos nossos irmãos carentes de tudo, ou simplesmente esperando uma palavra de conforto.
Quantas vezes nos deixamos arrastar pela vaidade pessoal ou pelo elogio público?
Seremos SEMPRE capazes de fazer mais, assim o queiramos fazer.
Tenhamos a coragem e o arrojo, de entender a mão a quem nos possa ajudar a construirmos algo mais pelos que nos rodeiam, pelos que esperam uma cama e os nossos cuidados, pois eles já não são capazes de se valerem a si próprios, nem encontram amigos ou mesmo familiares que sejam caridosos para com eles.
Tenho plena consciência que na Santa Casa da Misericórdia de Vagos reina a vontade de muito mais se fazer. Os meios, sobretudo os financeiros, faltam, mas nem por isso baixamos os braços, e continuamos a pressionar os governantes, todos eles, para nos ajudarem a ajudar os outros.
Um grande abraço.
Vitorino Moreira Rocha
Mesário
