EDITORIAL

A ria que temos (ou não) para oferecer

Editorial

Chega a esta altura do ano e o epicentro do turismo instala-se em na capital, mais propriamente na Feira Internacional de Lisboa (FIL), onde decorre a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). E, automaticamente, uma grande parte dos municípios e das comunidades intermunicipais portugueses rumam ali, para divulgarem o que de melhor o seu território tem para oferecer, a quem o quiser visitar – sejam turistas nacionais ou estrangeiros. Vagos não é exceção.
Logo no primeiro dia, 25 de fevereiro, o município marcou presença na apresentação do 2º Festival Moinhos de Portugal, que vai decorrer nos dias 11 e 12 de abril, tanto no concelho vaguense como em Águeda, Albergaria-a-Velha, Nelas e Sever do Vouga. Ao mesmo tempo, no Balcão da Região de Aveiro, foram apresentadas experiências que o concelho de Vagos tem para proporcionar.
No meio de tudo, fico sempre com a sensação, quando falamos de turismo, de que uma das pérolas da região – a ria de Aveiro (e seus afluentes) – podia ser mais potenciada do que aquilo que é. E, neste caso, não me refiro apenas a Vagos, mas sim ao conjunto de municípios que constituem toda a nossa região.
Talvez pela proximidade que temos com o mar, às vezes – perdoem-me se estiver a ser injusta – a ria parece ser o “parente pobre”. Sustento de tantos, que nela alicerçam vidas de várias gerações familiares, espelho de água único, que embeleza a nossa paisagem, a ria e as suas águas perdem-se, depois, naquilo que poderíamos oferecer dela e que não oferecemos. Tanto a quem vem de fora, visitar-nos, como mesmo a quem cá vive, todos os dias.
Tirando o centro da cidade de Aveiro, cujos canais são explorados ao máximo – talvez até, por vezes, em demasia – a nível turístico, fazer um passeio na ria, no resto da região, é uma atividade pouco facilitada. Temos marinas e ancoradouros, centenas de pessoas com embarcações próprias, mas pouco acesso àquelas águas para quem não tem em sua posse um barco, um caiaque ou uma prancha de stand up paddle, por exemplo. E mesmo em terra, nas margens, existe pouca oferta – como esplanadas ou espaços de lazer – para disfrutarmos do espelho de água que nos banha diariamente.
Já há exemplos, em vários municípios da região, de iniciativas que acontecem na ria – ou no rio Boco –, mas acho sempre que, querendo, teríamos potencial para mais. Para muito mais.
Salomé Filipe
Diretora do Jornal

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