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Municípios da Gândara: uma “troika” sem sucesso

Its a deal

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Planeado no primeiro mandato de Carlos Bento, que curiosamente nunca chegou a obter consenso, com vista à implantação no terreno, a Associação de Municípios da Gândara (AMG) surgiu em junho de 1998, para “atacar a fundo os principais problemas comuns” dos municípios de Cantanhede, Mira e Vagos. Alegavam serem fortemente penalizados com a distribuição de fundos do II Quadro Comunitário de Apoio (QCA), tendo decidido mostrar o “cartão amarelo” ao Governo, então liderado por António Guterres.
Projetada num fim-de-semana, durante a reunião de trabalho com os respetivos autarcas, com diferentes colorações partidárias (PSD, PS e CDS-PP), a nova corporação pretendia, desta forma, “atacar a fundo os principais problemas comuns”. Um propósito “obrigatório e com muita imaginação”, conforme admitiu o presidente da câmara de Vagos, que se mostrava chocado com a alegada bipolarização de apoio, face à “descarada e habilidosa” existente, entre as áreas metropolitanas de Lisboa e toda a região Centro. “Temos sido preteridos e penalizados em quase tudo”, sustentava o autarca vaguense, ciente de que o “bolo” a distribuir pelos 22 municípios que constituíam a região Centro. Contas feitas, era “manifestamente inferior à verba que tinha sido gasta pelo Governo, na Expo, com a Gare do Oriente”.
Segundo Jorge Catarino, presidente da câmara de Cantanhede, pertencer a uma região com características muito particulares, as três autarquias podiam ser revitalizadas em diversas áreas de desenvolvimento económico. Se fossem tomadas decisões em “rigoroso pé de igualdade”, viriam a ser aproveitadas as afinidades para tentar criar identidade própria e identidade gandareza. A nova associação tem um longo caminho a percorrer, e “não será a prometida regionalização que vai impedir o seu êxito”.
Mais otimista estava João Reigota, presidente da câmara de Mira, ciente de que, no aspeto sociocultural a revitalização da Gândara podia dar, no futuro, “maior coesão a toda a região”. Preocupado pelo facto desta continuar a ser uma região “periférica” dos poderes instituídos, e consequentemente semiabandonados nos mais diversos aspetos, o autarca de Mira dizia estar confiante que, no futuro, toda a Gândara viesse a crescer de “forma mais harmoniosa”. Então sim “muita coisa vai mudar”, nomeadamente “um melhor aproveitamento dos recursos hídricos e naturais de toda a região gandareza.
PROJETO FALHADO. Por proposta das autarquias de Mira, Cantanhede e Vagos, a Associação foi extinta em abril de 2004. No caso de Vagos, a extinção e liquidação foi confirmada em reunião da Assembleia Municipal, por proposta apresentada por Rui Cruz, então presidente da câmara. Foi votada por unanimidade, depois de o autarca ter assegurado que não havia quaisquer projetos comuns, pelo que “não fazia sentido” alimentar, por mais tempo, um projeto que considerou falhado. Instado a pronunciar-se sobre a decisão, Carlos Bento lamentou que o projeto não tivesse sido dinamizado como devia. E acusou Cantanhede de “falta de solidariedade”, para com os municípios vizinhos, argumentando que, em seis anos de funcionamento o município de Vagos nunca chegou a ter a presidência da associação.

Eduardo Jaques

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