EDITORIAL
Uma comunidade não se constrói apenas com obras, investimentos ou decisões políticas. Constrói-se, sobretudo, com pessoas e com vontade de fazer acontecer. Unir esforços em torno de objetivos comuns tem um nome: associativismo. E uma comunidade constrói-se com um associativismo vivo.
A Câmara de Vagos parece estar a dar passos no sentido de fomentar o espírito associativo, ao atribuir subsídios para a atividade regular de diversas coletividades do concelho. Muitos poderão questionar-se qual a importância desses apoios para Vagos, enquanto concelho. Eu respondo sem rodeios: toda.
Mais do que desenvolver uma atividade concreta, as associações têm a capacidade de aproximar as pessoas, de criar laços, de unir gerações e de transformar vontades individuais em projetos comuns. É em torno desse objetivo comum que as pessoas se encontram, que trabalham em conjunto e que se sentem integradas. O associativismo ajuda, muitas vezes, a que alguém encontre o seu lugar e o seu propósito. A que se sinta validado e realizado.
Seja cultural, recreativa ou desportiva, uma associação não dinamiza apenas a sua área de intervenção. Ela contribui para a vida das freguesias, preserva tradições, oferece às comunidades espaços de partilha e, muitas vezes, disponibiliza atividades lúdicas que contribuem para o bem-estar de quem as frequenta.
Há mais de 20 anos que sou dirigente associativa, numa associação do município vizinho de Ílhavo, e posso garantir que parte das minhas qualidades enquanto ser humano foram desenvolvidas, precisamente, por estar integrada numa coletividade. Foi ali que cresci, que aprendi a trabalhar em equipa – com pessoas de várias gerações e ideologias – e a perceber o sentido do voluntariado.
É por isso que não tenho quaisquer dúvidas quando afirmo que toda a comunidade ganha quando as pessoas se envolvem, colaboram e sentem que fazem parte de algo comum. Só que, para isso, além do tempo – precioso –, disponibilizado com gosto e vontade por parte dos membros integrantes, as associações necessitam de verbas.
Por detrás de cada associação, há pessoas que dedicam tempo e energia a dinamizar a cultura, a preservar tradições, a proteger o ambiente ou, simplesmente, a unir gerações. A maior parte dessas pessoas fá-lo longe dos holofotes. Mas são essas mesmas pessoas, com o seu empenho e persistência, que ajudam a dar vida às freguesias e aos lugares, assim como a fortalecer o sentimento de pertença. São essas mãos, as suas mãos, que ajudam a construir uma comunidade mais saudável, unida e resiliente.
Salomé Filipe
Diretora do Jornal
