Opinião
No dia 8 de fevereiro, entre as enxurradas, o país saiu à rua para, de forma clara, dizer o que queria e, também, o que não queria. Mais de três milhões e meio de votos escolheram o próximo Presidente da República: coberto de legitimidade, António José Seguro, um homem livre e sem amarras, a partir de 9 de março, passa a ser a primeira figura do Estado Português.
Numa altura em que o mundo funciona numa lógica de impulsos, de rapidez, de verdades fabricadas e de sprinters, os portugueses elegem um homem que é, em quase tudo, a antítese da atualidade.
Há onze anos, por altura do seu aniversário, partilhei publicamente a minha opinião sobre o homem que vai ser o Presidente da nossa República. Permito-me a recuperar algumas dessas palavras:
António José Seguro é um homem que defende, como poucos, aquilo em que acredita. Um homem que acredita em projetos coletivos, solidários e justos. Um homem forte, que prefere sempre a verdade, mesmo quando ela não lhe é rentável. Um homem digno, defensor da Democracia e da Liberdade e que respeita profundamente a vontade das maiorias. Um homem que não tem medo de escolher os caminhos longos e difíceis, porque acha que nos atalhos se perde sempre consistência. Um homem convicto de que é imperativo deixarmos o mundo melhor do que o encontrámos.
A mim, e a toda uma geração que com ele teve o privilégio de crescer, ensinou-nos que é preciso agir. Sairmos das nossas zonas de conforto e corrermos atrás das nossas causas. Que nos ajudou a acreditar que as causas que valem mesmo a pena são as que têm gente dentro. Aprendemos também com ele que ridículo é ter medo de ser ridículo e que a lealdade e a solidariedade são a coluna vertebral da humanidade.
Nos próximos cinco anos, Portugal vai ter um Presidente da República que já provou que cair faz parte do caminho, mas que o importante é levantarmo-nos carregados de dignidade, regenerando sem perder a generosidade.
Com António José Seguro em Belém ganha nova força a ideia de um Presidente de TODOS os portugueses, porque ele é assim: vai à frente, abre caminho, mas sempre com um olho atrás, para que ninguém fique aquém.
Assim que, numa altura em que tantos desafios se colocam à Democracia, em que proliferam os discursos de ódio, e, para reinar, se aposta no uns contra os outros, Portugal escolheu o contraciclo. Um orgulho constatar, uma vez mais, que, em alturas cruciais, os portugueses são intransigentes e não colocam a soldo os valores fundantes do 25 de abril.
António José Seguro vai ter pela frente um mandato exigente. Mas o nosso Presidente, pela sua verticalidade e resiliência, não vai ceder. Vai defender enfatizar tudo o que nos une e não se cansará de repetir que estamos uns para outros e que só assim, juntos e solidários, faremos frente à torrente individualista, sectária e persecutória que, mundo fora, tenta impor-se como padrão.
A capacidade de sentar, à mesma mesa, opiniões diferentes e de, de forma consistente, as fazer construir um chão comum não é de somenos nos tempos que se vivem e António José Seguro é o seu garante.
Desengane-se, porém, quem espera que, nos próximos cinco anos, de Belém venham purpurinas e holofotes. O homem que, a partir de 9 de março, será o Presidente da República Portuguesa faz da discrição uma arma e está sempre disponível para dar palco aos outros, mesmo quando é ele o arquiteto da fundação.
Nunca como nos tempos que correm fez tanto sentido ter como Presidente da República um homem com o perfil de António José Seguro, que leva para Belém os valores da liberdade, da solidariedade e da fraternidade. Um homem genuíno e estruturalmente bom que garante, com sobriedade e solidez, em tempos de fragilidade e vulnerabilidade, um Portugal Seguro.
Bom mandato, Senhor Presidente da República.
Catarina Resende
Ilhavense (Ex Membro do Secretariado de AJS)
