Cantinho de João Ferreira
Dado o recente falecimento do ex-Primeiro-Ministro Dr. Francisco Pinto Balsemão, parece-me oportuno fazer um memorando sobre esta pessoa extraordinária que muito o admirei, e durante todos estes anos foi figura de referencia para mim: Primeiro-Ministro pela cor da nossa terra (Partido Social Democrata à data Partido Popular Democrático); fundador do jornal Expresso, que ainda hoje, como muitos, leio; fundador também do “terceiro canal” melhor conhecido por SIC, cuja sigla representa Sociedade Independente de Comunicação; acima de tudo um grande homem. Talvez poucos saibam, mas a par com o Dr. Francisco Sá Carneiro, o Dr. Pinto Balsemão fez parte da Ala Liberal, um grupo de deputados que lutaram pela liberdade de imprensa e pela abertura democrática do regime.
Era a década de 80, e junto ao campo de futebol do Sporting Club da Vista Alegre havia um restaurante espécie taberna (hoje nem a casa sobra). O vosso articulista, João dos Santos Ferreira, à data proprietário do jornal que aqui leem (hoje pertença da Santa Casa da Misericórdia de Vagos), parava nessa casa de repasto para saudar o proprietário que era seu grande amigo, entregar exemplares do periódico e estar em contacto assinantes, ao fim de contas, tratar da expansão do jornal.
Ora quis o destino que uma curiosa história se desenrolasse: num dia em que a figura pública em questão, Dr. Francisco Pinto parou com a comitiva na Vista Alegre à vinda de Aveiro direção a Lisboa, o Primeiro-Ministro reparou nuns velhinhos a jogar às cartas com baralhos muito ”coçados”. Assim, o Doutor, prometeu enviar de Lisboa, diretamente para a taberna, baralhos de cartas novos. E nada disto seria digno de evocar, se Dr. Pinto Balsemão não tivesse de facto enviado cerca de dez baralhos de cartas para os clientes do meu grande amigo taberneiro jogarem.
Mais de interesse ainda, foi eu ter publicado a história neste jornal Eco de Vagos, quando o jornal mais próximo “Ilhavense” não o fez. Os mandatários desse periódico, ao que relembro, até se aborreceram um pouco com o taberneiro, mas o mesmo retorquiu que eles não passavam tempo na sua casa, não faziam despesa e não se importavam. Daqui surge uma importante lição de que é importante falarmos com todos e com o devido respeito, ora doutra forma, eu não teria feito o artigo de um Primeiro-Ministro doar cartas a uma humilde taberna de um meio quase rural.
Fica uma foto deste homem extraordinário datada de 1982 como ilustração do artigo e os votos de boas leituras pela parte do vosso modesto colaborador João dos Santos Ferreira. Na próxima edição, pelo Natal, tenciono falar da história da Linda de Suze bem como de colaboradores da terceira edição do Eco de Vagos: pessoas caras que me ajudaram bastante e com certeza os leitores irão gostar de saber.
João dos Santos Ferreira
