NOTAS…SOLTAS BANDA VAGUENSE FILARMÓNICA VAGUENSE
1860 – 2024: 164 anos de Música, por Vagos

Em dezembro último faleceu em Vagos, de onde era natural e residia, Silvério Martins Rei.
Este vaguense foi Presidente da Direção da Filarmónica Vaguense de janeiro de 1991 até 27 de dezembro de 2003, integrando também o número de músicos da Banda Vaguense, como executante de percussão.
No seu depoimento inserido no livro comemorativo dos 150 anos da Filarmónica podemos respigar a seguinte passagem:

“No primeiro ano (1991) a vida da Associação tornou-se muito complicada. Foi necessário muito sacrifício pessoal, recorrer à organização de festas e sorteios e promover mais serviços culturais da Filarmónica, para manter a Banda Vaguense viva.
Muitos músicos da Banda viviam fora de Vagos e também integravam outros agrupamentos musicais, o que nos obrigava a transportar os mesmos das e para as suas terras, assim como conciliar os serviços da Banda com o trabalho dos músicos.
Uma das passagens que recordo foi numa procissão na festa de Eixo. A nossa Banda apenas tinha quatro obras ensaiadas para a atuação nessa festividade. Quando a Banda de Eixo iniciou a procissão a interpretar uma das obras que nós também tínhamos ensaiado, causou-nos uma grande atrapalhação. Não tivemos outra alternativa que não fosse executar o mesmo tema e, no final da festa, pedir desculpa ao maestro daquela Banda.
…Mesmo com todas as dificuldades, estou convicto que a Filarmónica Vaguense, sob a minha presidência, até ao ano de 2003, conseguiu representar com dignidade a nossa terra e manter viva a alma musical Vaguense.”

Nas redes sociais, o vaguense Paulo Gravato – à altura jovem músico da Banda Vaguense, em início de aprendizagem na nossa escola de música, e hoje um dos enormes músicos portugueses – escreveu no seguimento da morte de Silvério Rei:

“Que o próximo destino seja digno.
Silvério Rei, alguém com quem vivi e aprendi algumas coisas que hoje me fazem ser, humildemente, o que sou.
Recordo os meus 13 ou 14 anos, quando integrava com orgulho a Banda Vaguense, a Banda Filarmónica da minha terra natal, num dos períodos mais negros da história desta instituição.
Muitos foram os músicos que perdemos, poucos os que foram ficando. Largos foram os tempos em que fazíamos arruadas e procissões com 15 ou 20 músicos, quando muitas vezes tínhamos que valer por dois ou três (dos bons).

Nessa mesma altura era o carro do Sr. Graciano e a Toyota do Sr. Silvério que nos faziam chegar ao local dos “serviços”. Eram poucos mas eram bons. Pelo menos para nós, pois era coisa que levávamos muito a sério. Ainda hoje não faço ideia como foi possível sobreviver a tal período. Sei o que herdámos após a sua saída, sei o que tínhamos e sei bem o que hoje temos.
É com pena que hoje sei da partida mas é com muito carinho que olho para trás no tempo e vejo o quão para mim, e para tantos, foi importante.

Obrigado por tudo Sr. Silvério.”

A Direção da Filarmónica Vaguense fez-se representar no funeral pessoalmente e com a bandeira oficial da Associação, tendo prestado as honras devidas com uma coroa de flores.


Votos de muitas “Notas…Soltas” nas nossas vidas.
José A. Almeida

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