EFEMÉRIDE
CAÇA NO CARDAL. Centenas de crianças no concelho de Vagos e da freguesia de Bustos (Oliveira de Bairro), desfilaram em protesto contra a possibilidade contra a possibilidade da instalação do aterro de resíduos tóxicos industriais no Cardal, entre cartazes e slogans. Como «se eu fosse peixinho e soubesse nadar mandava a lixeira para outro lugar» A realização do desfile, entre a Escola C+S de Vagos e o Largo do Município, foi uma iniciativa da Associação de Pais e encarregados de educação da Escola do 1º Ciclo do Ensino Básico de Vagos. Não pretendia ser de modo «um desfile aparatoso, mas que se revestisse na sua simplicidade e simbologia de cariz pedagógico de envolvimento e sensibilização das crianças de alerta à população em geral».
O cortejo, que participaram escolas primárias e os jardins de infância do concelho de Vagos. Deslizou, compacto árduo de recados, desfraldados em cartazes pequenos e maiores; outras sujinhos da poluição as faziam gritar ou cantar slogans, acompanhados pelos seus professores – «A Lavandeira não quer a lixeira // Ouçam a criança, a sua palavra não está poluída // Preciso de um lugar para viver // Não é lixeira, deixem-nos viver na nossa terra // Somos crianças, deixem-nos viver // Resíduos tóxicos no Cardal nem pensar // Não queremos lixo, a nossa saúde não está à venda // Se a lixeira é boa que fique em Lisboa // E deixando Pedro Abrunhosa
- Socorro! É impossível resistir a tanto lixo! Estamos condenados // A nossa geração diz não à poluição.
O primeiro carro alegórico carregava um barco (numa clara alusão ao ambiente despoluído que era apanágio ao concelho de Vagos) e na frente um letreiro que dizia equilíbrio é beleza. O outro carregando igualmente outro barco e redes (a poluição tóxica mata barcos e peixes e o homem). No meio das crianças a dra. Ana Vasconcelos, que liderava a Comissão Municipal de Acompanhamento, se recentemente se avistara com a Ministra do Ambiente, juntamente com outros elementos da mesma comissão. Sensibilizada com alguns dados apresentados, a que tiraram alguma força às razões dos técnicos da Tecninvest que apontavam para a asa do avião, para a Azurveira ou Cardal…
O presidente da Câmara de Vagos, Dr. Carlos Bento e alguns vereadores, receberam as crianças. Ao autarca foi-lhe entregue pelas crianças uma mensagem, que reza assim. «A palavra da criança não está poluída! O seu coração palpita angustiado, só de pensar que o nosso concelho, até agora virado para uma vida sadia, se poderá transformar. Nesta mensagem vai o seu grito de alerta. Oxalá a sua voz se faça ouvir!»
Realçando a presença das escolas de Bustos, que assim continua na frente da luta contra a eventual instalação do aterro no Cardal, O transporte foi-lhes assegurado pelo autocarro da Câmara, à semelhança da de Vagos que colaborou nos transportes das crianças das escolas do município e ainda na distribuição de um lanche para todas.
Eduardo Jaques
